Peixoto de Azevedo integra o Polo Colíder — conjunto de municípios da região norte de Mato Grosso que se desenvolveram a partir da colonização das décadas de 1970 e 1980, impulsionada pela combinação de garimpo, madeira e agropecuária na fronteira da floresta amazônica.
A referência regional é Alta Floresta, a 136 km — município de maior porte que concentra os serviços de saúde especializada, voos regionais e comércio de maior escala. Para a capital Cuiabá, são cerca de 672 km — distância que define o caráter de polo intermediário de Peixoto no norte mato-grossense.
Peixoto de Azevedo não foi colonizada — foi garimpada. No final dos anos 1970 e ao longo de toda a década de 1980, a corrida pelo ouro no norte de Mato Grosso atraiu milhares de pessoas de todo o Brasil para a região do Rio Peixoto. Garimpeiros vindos do Pará, Goiás, Nordeste e do interior do próprio Mato Grosso chegaram com bateia, picareta e esperança — e fundaram, no meio da floresta amazônica, o que viria a se tornar um município.
O garimpo deu à cidade sua identidade mais profunda: a resistência de quem constrói algo do zero, no meio do nada, com as próprias mãos. Mas deixou também uma herança que ainda cobra seu preço — no leito do rio, nas nascentes assoreadas, e no debate permanente entre o que a cidade foi e o que precisa se tornar.
O garimpo ilegal não é um fantasma do passado em Peixoto de Azevedo — é uma ameaça ativa e documentada ao presente. O Rio Peixoto, que abastece a cidade, tem suas margens e nascentes invadidas por balsas garimpeiras ilegais que operam sem licença, sem controle e com consequências diretas para quem abre a torneira em casa.
Em outubro de 2021, o Ministério Público Estadual detectou que garimpos ilegais operando às margens do Rio Peixoto e de cursos d'água que nele desaguam eram responsáveis pela água turva que chegava à cidade. A concessionária Águas de Peixoto (APA) precisou coletar amostras emergencialmente para verificar a qualidade da água distribuída. Em maio de 2025, nova operação da SEMA destruiu 9 motores diesel de balsas garimpeiras, 7 antenas Starlink e equipamentos de extração ilegal nos rios Peixoto, Peixotinho e Braço Norte. Em janeiro de 2025, a Operação Amazônia apreendeu dois tratores de esteira e uma escavadeira escondidos na mata dentro de área sem qualquer licença ambiental.
O Rio Peixoto é a principal fonte de abastecimento da cidade. Quando o garimpo ilegal opera nas margens, a água que sai das torneiras de 33 mil pessoas é colocada em xeque. Isso não é hipótese — já aconteceu.
SEMA apreende 2 tratores de esteira e 1 escavadeira escondidos em mata sem licença. O proprietário confessou a atividade garimpeira e afirmou ter ciência da ilegalidade.
9 motores diesel destruídos, 7 antenas Starlink e caixas gravimétricas apreendidas. Todas as atividades fiscalizadas operavam sem licença em plena APP.
A economia de Peixoto de Azevedo se transformou desde os anos do garimpo. Com o declínio da mineração formal, a cidade migrou para uma base agropecuária diversificada — pecuária de corte, produção leiteira crescente e cadeia madeireira que persiste com regulamentação mais rigorosa.
O leite é uma atividade que ganha espaço progressivo no município e em todo o polo norte mato-grossense — diferentemente das regiões de soja do centro do estado, o norte ainda mantém uma tradição de produção familiar e de médio porte na pecuária leiteira, que alimenta laticínios regionais e gera renda mais distribuída no campo.
Com um PIB per capita de R$ 35 mil (IBGE 2023) e receitas brutas de R$ 170 milhões (2024), Peixoto é um município de base econômica sólida — porém ainda dependente de insumos e serviços de Alta Floresta para os setores que demandam maior escala.
| PIB per capita | R$ 35.042,77 |
| Receitas brutas (2024) | R$ 170.993.001 |
| Despesas brutas (2024) | R$ 157.049.713 |
| Superávit fiscal | R$ 13,9 milhões |
| Escolarização 6–14 anos | 91,05% |
| IDH Municipal | 0,649 (2010) |
| Área territorial | 14.433,775 km² |
| Densidade demográfica | 2,27 hab/km² |
| População (Censo 2022) | 32.714 pessoas |
| Estimativa 2025 | 33.754 pessoas |
| Distância de Cuiabá | ~672 km |
| Ref. regional | Alta Floresta (136 km) |
| Mortalidade infantil | 15,72 / mil nascidos (2023) |
| Garimpo ilegal ativo | Sim — documentado 2021–2026 |
| Rios contaminados | Peixoto · Peixotinho · Braço Norte |
| Operações SEMA (2025) | 2 operações · máquinas apreendidas |
| Saneamento básico | Incompleto — PMSB em andamento |
| Indicador | ⛏️ Peixoto de Azevedo (City019) | 🏙️ Guarantã do Norte | 🔗 Alta Floresta (Ref.) | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| População | ~33.754 hab. | ~35.000 hab. | ~51.000 hab. | Alta Floresta maior |
| PIB per capita | R$ 35.042 | ~R$ 38.000 | ~R$ 45.000 | Região abaixo da média MT |
| Área territorial | 14.433 km² | ~5.900 km² | ~8.972 km² | Peixoto é enorme |
| Identidade econômica | Garimpo/Pecuária/Madeira/Leite | Pecuária/Soja | Agropecuária/Serviços | Peixoto mais diverso |
| Garimpo ativo ilegal | Sim — documentado | Adjacente (Rio Peixoto) | Não | Peixoto em risco |
| Ameaça ao abastecimento | Sim — Rio Peixoto | Parcial | Não | Urgência ambiental |
| Dist. de Cuiabá | ~672 km | ~680 km | ~800 km | Região remota |
| Dist. referência regional | Alta Floresta ~136 km | Alta Floresta ~100 km | — | Alta Floresta é o hub |
| Receitas brutas (2024) | R$ 170,9 mi | ~R$ 160 mi | ~R$ 280 mi | Peixoto equilibrado |
| Mortalidade infantil | 15,72 / mil (2023) | ~14 / mil | ~12 / mil | Acima da média MT |
Insight UrbanoConnect: Peixoto de Azevedo é um município que carrega uma contradição estrutural aguda — possui o maior território do polo (14.433 km²), uma economia diversificada em garimpo histórico, madeira, boi e leite, receitas fiscais em superávit, e ao mesmo tempo o rio que abastece a cidade é contaminado pelo garimpo ilegal enquanto se escreve esta análise. Não é falta de recursos — é falta de governança ambiental efetiva. Uma cidade que sobreviveu a décadas de garimpo predatório não pode ter como legado a destruição do único rio que seus 33 mil habitantes bebem.
⚠️ Situação Crítica
SUS Regional · Alta Floresta
Rede Básica · Superior
BR-163 · Alta Floresta · Cuiabá
⚠️ Pressão Alta
Corte · Leite · Madeira
| Pop. estimada 2025 (IBGE) | 33.754 pessoas |
| Pop. Censo 2022 | 32.714 pessoas |
| Densidade demográfica | 2,27 hab/km² |
| Área territorial | 14.433,775 km² |
| Gentílico | Peixotense |
| Prefeito 2025 | Nilmar Nunes de Miranda |
| PIB per capita (2023) | R$ 35.042,77 |
| Receitas brutas (2024) | R$ 170.993.001 |
| Despesas brutas (2024) | R$ 157.049.713 |
| IDH Municipal | 0,649 (2010) |
| Escolarização 6–14 anos | 91,05% |
| Mortalidade infantil | 15,72 / mil nascidos |
| Atividade principal | Pecuária de corte |
| Atividade em crescimento | Produção leiteira |
| Cadeia histórica | Madeira/Beneficiamento |
| Garimpo formal | Inativo / Histórico |
| Garimpo ilegal | Ativo — documentado |
| Expansão soja | Sem expressão |
| Rio de abastecimento | Rio Peixoto — ameaçado |
| Rios afetados (garimpo) | Peixoto · Peixotinho · Braço Norte |
| Última operação SEMA | Maio/2025 |
| Última operação SEMA MT | Janeiro/2025 |
| Inquérito MP-MT (região) | Abril/2026 |
| Risco mercúrio | Documentado pelo MPF |
O scorecard UrbanoConnect avalia os municípios em múltiplas dimensões — economia, infraestrutura, qualidade de vida, conectividade e posicionamento estratégico.
"Uma cidade que sobreviveu à corrida do ouro não pode morrer de sede."
Peixoto de Azevedo nasceu de uma aposta. No final dos anos 1970, garimpeiros chegaram à floresta amazônica do norte mato-grossense com bateia, determinação e a certeza de que havia ouro no leito do Rio Peixoto. Tinham razão. E com o ouro vieram os barracos, as famílias, os mercados, as igrejas e, eventualmente, a cidade. Uma história de fundação que é também uma história de coragem — e de custo ambiental altíssimo pago para que uma cidade pudesse existir.
Quando o garimpo formal declinou, Peixoto não desapareceu. Se reinventou. O boi substituiu a bateia. A madeira deu espaço à serraria e ao beneficiamento. O leite entrou como renda alternativa para o produtor familiar. A cidade cresceu, organizou um orçamento, construiu escolas com 91% de escolarização das crianças. Fez o que as cidades do interior do Brasil fazem quando precisam sobreviver: se virou.
O garimpo ilegal voltou. E desta vez, não está buscando ouro no meio da floresta — está destruindo as margens do mesmo Rio Peixoto que abastece os 33 mil habitantes da cidade. Em 2021, a água ficou turva. Em 2025, a SEMA destruiu 9 motores e 7 antenas Starlink de balsas ilegais operando em plena Área de Preservação Permanente. Em 2026, um inquérito civil do MP-MT apurava novo garimpo na região do rio. O padrão é claro: operação, multa, embargo — e o garimpo volta. Não é falta de lei. É falta de consequência permanente.
A pergunta que Peixoto de Azevedo precisa responder não é econômica — é existencial. Uma cidade pode construir superávit fiscal, expandir a produção leiteira e ter 91% das crianças na escola, mas se o rio que abastece essa cidade estiver sendo destruído sistematicamente pelo garimpo ilegal, o que exatamente está sendo construído? Uma prosperidade que bebe água envenenada não é progresso. É atraso com maquiagem.
Peixoto nasceu do rio. E é pelo rio que ela precisa lutar — com a mesma energia que os primeiros garimpeiros usaram para encontrar ouro nele.