VGV 2020–2025: O Boom que Transformou o Mercado Imobiliário do Brasil e de Mato Grosso

Em cinco anos, o Valor Geral de Vendas do mercado imobiliário cresceu 171% em Mato Grosso e 143% no Brasil. Por trás dos números, uma história de agronegócio, urbanização acelerada e cidades que nunca mais serão as mesmas.

Skyline de Cuiabá com novos empreendimentos imobiliários e o agronegócio ao fundo

Existe um indicador que, mais do que qualquer outro, conta a história econômica de uma cidade, de um estado, de uma geração. Não é o PIB — abstrato demais. Não é a taxa de desemprego — defasado demais. É o VGV — Valor Geral de Vendas do mercado imobiliário: o volume total de dinheiro que uma sociedade decide converter em tijolos, concreto, endereços e futuros.

Entre 2020 e 2025, esse número cresceu de forma que poucos analistas ousaram projetar. No Brasil, saímos de cerca de R$ 28 bilhões para aproximadamente R$ 68 bilhões em VGV anual — uma expansão de 143% em cinco anos. Em Mato Grosso, o salto foi ainda mais dramático: de R$ 2,1 bilhões para R$ 5,7 bilhões confirmados em 2025 — um crescimento de 171%, impulsionado por um agronegócio em plena explosão e por cidades que crescem mais rápido do que seus planos diretores conseguem absorver.

Esta análise reconstrói esse ciclo ano a ano — com os números, os contextos, os atores e, principalmente, com as consequências reais para as cidades e para as pessoas que vivem nelas.

1. A Evolução do VGV Ano a Ano — Brasil e MT

O período 2020–2025 não foi homogêneo. Foram seis anos com personalidades distintas — cada um com seus motores, seus freios e suas lições. Entender cada ano é entender por que chegamos onde chegamos.

2020
🇧🇷 Brasil: ~R$ 28 bi
🟢 MT / Cuiabá: ~R$ 2,1 bi
+26,1% vendas nacionais
O paradoxo da pandemia: enquanto a COVID-19 paralisava o mundo, o mercado imobiliário brasileiro explodia. A Selic atingiu 2% ao ano — mínima histórica — barateando financiamentos como nunca antes. O programa Casa Verde e Amarela respondeu por 77,8% das vendas nacionais. Em MT, a safra recorde de soja de 2020/21 capitalizou produtores que converteram lucro agrícola em apartamento urbano.
2021
🇧🇷 Brasil: ~R$ 36 bi
🟢 MT / Cuiabá: ~R$ 4,3 bi 🏆
Recorde histórico MT
O ano do boom duplo: 131.600 unidades vendidas no Brasil — recorde da série histórica até então. Em Cuiabá, o VGV quase dobrou em relação a 2020, superando R$ 4,3 bilhões com quase 12 mil imóveis transacionados. O agronegócio de MT vivia seu melhor momento em décadas. Empreendimentos lançados em 2019 e 2020 foram vendidos num ritmo nunca visto. O ticket médio subiu. A verticalização de alto padrão em Cuiabá deixou de ser exceção para virar tendência.
2022
🇧🇷 Brasil: ~R$ 35,6 bi
🟡 MT / Cuiabá: ~R$ 3,5 bi
-6,2% vs 2021
O freio dos juros: a Selic chegou a 13,75% ao ano em 2022 — uma virada de 180° em relação ao piso histórico de 2020. O crédito imobiliário encareceu de forma abrupta e o segmento de médio e alto padrão sentiu o impacto: queda de 17,9% nos lançamentos e retração de 7,7% nas vendas nacionais nessa faixa. Em MT, o VGV recuou mas manteve-se acima do patamar pré-pandemia. O MCMV (então Casa Verde e Amarela) sustentou o mercado popular.
2023
🇧🇷 Brasil: R$ 47,9 bi 🏆
🟢 MT / Cuiabá: R$ 4,2 bi
Novo recorde nacional ABRAINC
O recorde que ninguém esperava: com juros ainda elevados, 2023 surpreendeu. O MCMV reformulado cresceu 42,2% em volume e 55,1% em valor vendido. O segmento MAP subiu 18,9%. O valor total vendido no Brasil alcançou R$ 47,9 bilhões — 24% acima do recorde anterior. Em Cuiabá, 9.218 imóveis foram transacionados, movimentando R$ 4,2 bilhões com ticket médio em alta. O 4º trimestre de 2023 já sinalizava a recuperação acelerada que viria em 2024.
2024
🇧🇷 Brasil: ~R$ 58 bi 🏆🏆
🟢 MT / Cuiabá: ~R$ 4,8 bi
VGV nacional +22,45%
Dois recordes em sequência: segundo a CBIC, 2024 foi o maior patamar de vendas da série histórica iniciada em 2014 — 400.547 unidades vendidas em 221 cidades, com VGV +22,45%. Lançamentos cresceram 18,6%. Em Cuiabá, a São Benedito registrou VGV próprio de R$ 417 mi — base para a projeção de R$ 810 mi em 2026. O Secovi-MT confirmou expansão de dois dígitos no número de unidades transacionadas.
2025
🇧🇷 Brasil: ~R$ 68 bi 🏆🏆🏆
🟢 MT / Cuiabá: R$ 5,7 bi 🏆
Melhor ano da história em MT
O melhor ano de todos: R$ 5,7 bilhões confirmados pelo Secovi-MT — crescimento de 17,99% no faturamento e 24,87% no volume de unidades (13.600 imóveis). São Paulo sozinha alcançou VGV de R$ 42,6 bilhões. Florianópolis subiu 7 posições no ranking nacional com +91%. O mercado imobiliário brasileiro consolidou-se como um dos setores mais resilientes da economia, mesmo com Selic ainda elevada.
"Em cinco anos, Cuiabá passou de R$ 2,1 bilhões para R$ 5,7 bilhões em VGV. Não é sorte. É o agronegócio se tornando cidade — tijolo por tijolo, andar por andar."

2. Os 20 Maiores Municípios de MT — Participação no VGV 2025

Mato Grosso tem 142 municípios. Mas o VGV imobiliário não se distribui de forma uniforme pelo território — ele segue a mesma lógica do agronegócio: concentrado nos polos, irradiando para os satélites. O mapa abaixo revela quem são os protagonistas e o que move cada mercado local.

 Nota metodológica
  • VGV de Cuiabá baseado em dados oficiais Secovi-MT / Fecomércio-MT (2025)
  • Demais municípios: estimativas proporcionais por população, PIB municipal, atividade de lançamentos documentada e dados MCMV/Caixa Econômica
  • Fontes: Secovi-MT, CBIC, Brain Inteligência, Ministério das Cidades, IBGE 2025
1

🏙️ Cuiabá

R$ 5,70 bilhões

~52% do total MT · 682 mil hab.

Capital · alto padrão · MCMV · verticalização

2

🏘️ Várzea Grande

~R$ 1,20 bilhão

~11% do total MT · 314 mil hab.

Conurbação Cuiabá · mercado popular

3

🏭 Rondonópolis

~R$ 820 milhões

~7,5% do total MT · 259 mil hab.

Hub industrial · logístico · médio padrão

4

🌲 Sinop

~R$ 740 milhões

~6,8% do total MT · 216 mil hab.

Norte MT · agro · MCMV forte · serviços

5

🌾 Sorriso

~R$ 310 milhões

~2,8% do total MT · 120 mil hab.

Capital da soja · crescimento acelerado

6

⚡ Tangará da Serra

~R$ 280 milhões

~2,6% do total MT · 112 mil hab.

Etanol · serviços · médio padrão crescente

7

🥩 Lucas do Rio Verde

~R$ 260 milhões

~2,4% do total MT · 92 mil hab.

PIB per capita altíssimo · proteína vegetal

8

🌻 Primavera do Leste

~R$ 240 milhões

~2,2% do total MT · 92 mil hab.

Algodão premium · renda agro alta

9

🐊 Cáceres

~R$ 180 milhões

~1,6% do total MT · 91 mil hab.

Polo regional oeste · serviços · MCMV

10

🚀 Nova Mutum

~R$ 160 milhões

~1,5% do total MT · 58 mil hab.

Expansão agro mais rápida do estado

11

🌱 Campo Novo do Parecis

~R$ 120 milhões

~1,1% do total MT · 38 mil hab.

Soja premium · renda per capita alta

12

🌳 Alta Floresta

~R$ 110 milhões

~1,0% do total MT · 50 mil hab.

Norte MT · serviços regionais · comércio

13

🌊 Barra do Garças

~R$ 105 milhões

~0,96% do total MT · 72 mil hab.

Leste MT · polo regional · MCMV

14

💧 Água Boa

~R$ 80 milhões

~0,73% do total MT · 24 mil hab.

Agro Leste · renda crescente · pequeno porte

15

🛣️ Guarantã do Norte

~R$ 75 milhões

~0,68% do total MT · 35 mil hab.

Norte MT · eixo BR-163 · serviços

16

🌿 Colíder

~R$ 65 milhões

~0,59% do total MT · 33 mil hab.

Norte MT · mercado popular · MCMV

17

🌾 Juara

~R$ 60 milhões

~0,55% do total MT · 36 mil hab.

Noroeste MT · agropecuária · popular

18

🏔️ Chapada dos Guimarães

~R$ 55 milhões

~0,50% do total MT · 22 mil hab.

Turismo · alto padrão horizontal · São Benedito

19

🌐 Pontes e Lacerda

~R$ 50 milhões

~0,46% do total MT · 42 mil hab.

Fronteira oeste · mercado popular

20

🐟 Peixoto de Azevedo

~R$ 45 milhões

~0,41% do total MT · 33 mil hab.

Norte MT · MCMV · crescimento recente

 Concentração do VGV em MT — Os 5 Maiores vs. Os Demais
Grupo Municípios VGV estimado 2025 % do total MT
Top 1 — Cuiabá 1 R$ 5,70 bi ~52%
Top 2–5 — VG, Rondonópolis, Sinop, Sorriso 4 ~R$ 3,07 bi ~28%
Top 6–20 — demais cidades do agro 15 ~R$ 2,16 bi ~20%
Total MT estimado 2025 142 ~R$ 10,93 bi 100%

3. O Impacto na Economia — O VGV Como Motor Invisível

O VGV imobiliário não é apenas uma métrica de vendas. É um motor econômico com efeito multiplicador comprovado. Cada real investido em construção civil gera entre R$ 2,20 e R$ 2,80 de atividade econômica indireta — segundo estudos da CBIC e da FGV. Isso significa que o VGV de R$ 5,7 bilhões de Cuiabá em 2025 gerou, na prática, um impacto econômico total de aproximadamente R$ 13 a R$ 16 bilhões na economia mato-grossense — só na capital.

⚙️

O Efeito Multiplicador do VGV

Cada R$ 1,00 de VGV gera R$ 2,20 a R$ 2,80 em PIB indireto — via emprego, cadeia de fornecedores, consumo de famílias e arrecadação municipal. Em Mato Grosso, o VGV estimado de R$ 10,9 bilhões em 2025 gerou um impacto econômico real de:

R$ 24–30 bi Impacto econômico total MT 2025
1 : 2,5 Multiplicador médio do setor
~95 mil Empregos diretos + indiretos gerados
💼
1 : 80
1 emprego direto por cada R$ 80–120 mil de VGV em construção
🧾
3%
ITBI sobre VGV vai direto para o caixa do município
📈
+18%
Valorização média dos imóveis no entorno de novos empreendimentos
🏪
4x
Mais comércio e serviços em bairros com novos empreendimentos
🏦
20 anos
Prazo médio de financiamento — crédito de longo prazo injetado nas famílias
🏘️
-85 mil
Déficit habitacional de MT que o VGV ajuda a reduzir safra a safra

4. O Que o VGV Melhora nas Cidades — 7 Transformações Reais

O Valor Geral de Vendas não é um número que fica guardado no balanço de uma incorporadora. Ele se manifesta no cotidiano das cidades de formas concretas, visíveis e duradouras. Cada ciclo de VGV alto deixa uma cidade diferente — mais equipada, mais valorizada, mais capaz de atrair novos investimentos e novos moradores.

1

🏠 Redução do Déficit Habitacional

MT tem déficit estimado de 85 mil moradias (FJP/2023). Cada ciclo de VGV robusto — especialmente quando inclui o segmento popular via MCMV — retira famílias de condições precárias de habitação e insere-as no sistema formal de moradia, com endereço, escritura e segurança jurídica.

13.600 imóveis transacionados em Cuiabá apenas em 2025
2

💰 Aumento da Arrecadação Municipal

Um empreendimento de R$ 50 milhões de VGV gera aproximadamente R$ 1,5 milhão de ITBI para o município, R$ 750 mil de ISS sobre as obras e cerca de R$ 200 mil por ano em IPTU das novas unidades. Prefeituras de cidades como Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum têm financiado infraestrutura diretamente com a arrecadação gerada pelo boom imobiliário.

ITBI (3%) + ISS obra + IPTU das unidades — receita perpétua
3

👷 Empregos Formais e Qualificados

A construção civil é o segundo maior empregador formal do Brasil — e em MT, esse papel é ainda mais relevante porque as cidades do agro não têm uma base industrial diversificada. O setor emprega desde serventes até engenheiros, arquitetos, técnicos de segurança, gestores de projetos. Em 2025, 82% dos municípios mato-grossenses registraram saldo positivo de empregos — e a construção civil foi um dos setores que mais contribuiu.

Sinop: 2.298 empregos formais criados (jan–mai 2025) — construção civil entre os líderes
4

🏗️ Modernização do Tecido Urbano

Novos empreendimentos de médio e alto padrão pressionam as prefeituras a modernizar a infraestrutura do entorno: pavimentação, iluminação pública em LED, drenagem, ciclovias, praças. Cuiabá viu bairros inteiros se transformarem ao longo da Avenida Fernando Corrêa — eixo dos empreendimentos da São Benedito — durante o ciclo 2021–2025. Sinop e Lucas do Rio Verde experimentam o mesmo processo no Norte do estado.

Bairros com novos empreendimentos valorizam 12%–25% no entorno imediato
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📊 Valorização Patrimonial das Famílias

Famílias que compraram imóvel em Cuiabá em 2020 — com ticket médio de aproximadamente R$ 280 mil — têm hoje um patrimônio estimado de R$ 420 a R$ 460 mil, valorização real de 50%–65% em cinco anos, acima da inflação acumulada no período. A imobiliária de Cuiabá tornou-se um dos melhores investimentos da última década para quem estava posicionado nos bairros certos.

+50% a +65% de valorização real em Cuiabá entre 2020 e 2025
6

🌆 Atração de Serviços, Comércio e Franquias

Onde surgem novos empreendimentos residenciais, surgem novos consumidores. E onde há novos consumidores concentrados, chegam supermercados, farmácias, academias, clínicas, escolas privadas, restaurantes e franquias. O ciclo de VGV alto em MT está transformando cidades como Sorriso, Nova Mutum e Campo Novo do Parecis em praças comerciais que há dez anos simplesmente não existiam.

Cada 1.000 novas unidades geram demanda por ~8 novos estabelecimentos comerciais
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🎓 Demanda Qualificada por Serviços Públicos

Novas famílias que chegam ao mercado formal de moradia demandam serviços públicos em quantidade e qualidade crescentes: escolas, UBSs, creches, transporte coletivo, áreas de lazer. Esse ciclo de demanda pressiona prefeituras a qualificar seus serviços — e cria o ambiente para que empresas privadas de educação e saúde também se instalem, completando o ecossistema urbano. Cidades com VGV crescente são cidades que amadurecem.

1.000 novas unidades → demanda por 2 escolas + 1 UBS adicional (estimativa IBGE/FJP)
"VGV não é só metro quadrado e financiamento. É escola nova, praça iluminada, farmácia no bairro, emprego com carteira assinada. É o mais concreto dos sinais de que uma cidade está crescendo de verdade."
 Conclusão

Mato Grosso Construiu Mais do Que Imóveis — Construiu uma Nova Economia Urbana

O levantamento do VGV entre 2020 e 2025 revela uma transformação que vai muito além do mercado imobiliário. Em cinco anos, Mato Grosso demonstrou que a riqueza do agronegócio — quando acompanhada de urbanização planejada, crédito habitacional acessível e incorporadoras com visão de longo prazo — consegue se converter em cidades melhores para viver.

O crescimento de 171% no VGV de Cuiabá não foi acidente. Foi o resultado de uma conjuntura favorável — juros baixos, MCMV reformulado, agro em alta — potencializada por atores locais que souberam ler o mercado antes que ele chegasse. A Construtora São Benedito e seu VGV de R$ 810 milhões projetado para 2026 é o símbolo mais eloquente de que esse ciclo não acabou — ele está se renovando.

Para Sorriso, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra e todas as cidades do eixo agroindustrial de MT, a pergunta não é mais "se" o mercado imobiliário vai crescer. É "como" cada cidade vai se preparar para absorver esse crescimento com qualidade urbana, infraestrutura adequada e gestão territorial inteligente. Porque o VGV está chegando. A pergunta é se a cidade vai estar pronta para recebê-lo.